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É no limiar que se encontram as coisas mais misteriosas. Portugal, sendo um país limítrofe da Europa e com fronteira para o Atlântico é um país com características europeias, não tendo perdido porém a sua identidade e conseguindo manter simultaneamente tradição e globalização. É ainda possível encontrar uma portugalidade, um modo de vida tradicional resultante da sua posição geográfica, mais atlântica que europeia.
É também no limiar que se encontram as melhores fotografias, quando não há a certeza de ter captado ou momento ou não; quando o centésimo ou milésimo de segundo ultrapassa o simples registo, se retém num suster de fôlego e num acto cirúrgico se consegue o melhor instantâneo.
No limiar é assim uma explosão de adrenalina resultante de uma intuição, um instinto, qualquer coisa de indefinível, que resulta num momento que o cérebro capta mas muitas vezes o olho humano não vê; qualquer coisa que nos escapa, mas que razões que nos confundem fazem magia acontecer.
É assim no limiar, onde o racional interage com o irracional, onde a emoção é levada ao limite e muitas vezes nos faz sentir num limbo, a flutuar num espaço de tempo entre dimensões, onde o tempo pára e nos faz sentir descolar do próprio corpo!
É também no limiar que se consegue captar o instante único em que toda a intensidade do momento faz sentido. A intensidade de um olhar, de uma atitude, um espanto, uma angústia, um sorriso, que nos faz sorrir, pensar, espantar, mas não nos deixa indiferentes. É na eternidade desses momentos que podemos perceber a intemporalidade da fotografia bem como da emotividade, porque as emoções, essas são universais. É na intangibilidade do momento que se percebe a força surpreendente da fotografia, porque o mundo que nos rodeia muda a cada fracção de segundo e tudo o que nós vemos está em constante movimento, cada momento é único e irrepetível. A fotografia ajuda-nos a ter consciência disso! |
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